Ciao, Marcius!
Uma homenagem de Enrico Pieratti e Gabriel Hargreaves
Ciao, Marcius!
Em uma noite mal iluminada,
Queimada pelas duas velas
De cujas cera derramava
E curvas nelas se formavam
E veias púrpuras se soltavam
O sangue já era tinta
E as palavras
Formadas carinhosamente acolhedoras
Escorriam pelas maçãs já rubras de ardor.
Trinta dias depois,
Ao som do último lado
Do disco que escutávamos de Keith Jarrett,
As palmas que reverenciavam
A última canção do pianista
Mais pareciam a mais improvável chuva
Do seco e desértico mês de julho em Brasília.
Ciao, Marcius!
O bonde do tempo que corre e que não se vê
Abraça a bagagem de um triste adeus,
E a esperança de um vir que se faz feliz
A meio virtudes que se fazem sós.
Ousadia ou não
A reverência dos pobres poetas
(Ainda mal-iluminados)
Que praguejavam a promessa feita
Pelo último cigarro
Queimava os dedos
Que à noite tentavam
Ao gole da Sangria – agora quase morna
Dizer olá e adeus ao mesmo tempo
Ao mestre do oculto
Translúcido como véu de ísis
Feito em si mestre daquilo que é.
- E a virtude outrora calada,
Torna-se viva no meio de nós -
Ciao, Marcius!
Sedare dolorem opus divinum est.
Luzes de dor em invernos sem fim
Palhaços de narizes pintados choravam gotas de orvário com gosto de nostalgia, e em noites de verão de agosto, o ar parecia mais denso do que o aguardado.
Palavras não ditas em meio a neblina fosca brilhavam como pirilampos, que viravam flechas, e acertavam o coração dos amantes desavisados, que por sua vez se tornavam favas, engolidas insinuosamente pelas damas ingênuas ouvindo sussurros de dor.
Excuse me, Princess!
Sem sombra de dúvidas esse seria o filme da minha vida.
IV
“I met a lady in the meads,
Full beautiful – a faery’s child,
Her hair was long, her foot was light,
And her eyes were wild”
Thought of You
I'm a walking cliché
Cá estou mais uma vez, com mais um blog.
Desta vez pelo menos preservei a maioria das postagem do ultimo, graças a uma ferramenta incrível descoberta recentemente chamada “download do arquivo de exportação”. Seria excelente se a vida possuísse essa ferramenta. Nós salvamos tudo aquilo que queremos guardar, mostramos só o que convem e começamos tudo de novo. Mas pensando bem, acho que essa ferramenta existe… e chama memoria.
Então que esse blog represente isso. Uma grande avatar nostalgico da memoria. Mostrando tudo aquilo que convem mostrar, com uma pequena maqueada é claro, para que de alguma forma pareça aos olhos mais bonito do que realmente é.
Três pés desconfortáveis
Feito por três, de uma só vez.
Nus,
Como músculos estreitos,
Monossilábicos,
Perfeitos,
Buscando nostalgias modernas
Ao som de Deus.
Sós como sois,
Como três filhos,
Loucos de trapos vazios,
Gozando da fertilidade,
Polindo os egos sujos de suor e sangue.
Parindo ventos do norte (morte)
Angústia -
Perplexos sonhadores.
(Seus pés estavam desconfortáveis para mim)
Confortáveis risos…
Palavras jogadas a esmo,
Feixe de terra em setembro
(Mas outubro virá em silencio)
Junto à angústia que aperta
Esses sorrisos prolixos anárquicos,
(In) Definidos
Partidos
Em cenários de tempo azul.
Tanto faz…
Taxonomias procrastinadas,
Como um hímen rompido,
Sinto teu gosto desvirginado…
A cidade me consome.
Quinta-Feira
A fome me consome.
Não sinto nem sono, nem frio. Mas uma sede de saciar-me que beira o transbordamento.
Nada mais me cativa.
Perambulo pelas vias respiratórias junto a fumaça de cigarros acesos na esperança ingênua de, não mais que de repente, exalar esse ar tão contido que me escapa.
Não pude datar o momento exato o qual me fiz ser o que neguei me tornar. Mas novamente me encontro perdido, tendo-me procurado a fio no corredor da esperança esguia, escorrendo agora opaca pela sarjeta inerte, que nada faz para alterar o seu destino.
Dirás que sou louco por almejar o não conhecido, e querer tatear no escuro a face daquele que ha muito escapo. Mas é que minhas mãos, agora meticulosamente ocupadas pelos cigarros, já não conseguem, como outrora, tocar o espírito humano.
Tento então escrever, esperando através da palavra, em vão, a mim refletir. Pois se hoje já não conheço quem sou, não sei de qual forma então poderei me encontrar.
Se perguntas porque sou tão frio
E distante de ser o que queres
Digo-te logo, não hesitante
Espera, em mim, encontrar o que eres
Cerco-te de espelhos convexos
No labirinto que é pensar e sentir
Não fujas incauto, tolo relutante
Do destino que reservei para ti
Segue o compasso do passo, e espera
Que a vida entrega tua face na mão
Não queira ser o que outrora já era
Fugindo do medo que é ser em vão
Aguarda, criança, à vida nada se entrega
Pois a resposta que a tanto procura
Virá da pergunta que a tanto já nega